Inspirada por Clóvis Rossi, Tom Wolfe e Noam Chomsky, essa reportagem narra a jornada de Mirabai Chanu, rumo a Paris 2024, buscando ouro e história no peso-pena do levantamento de peso.
Faltam apenas 86 dias para Mirabai Chanu subir na plataforma do Stade Pierre de Coubertin, em Paris, com um único objetivo em mente: defender, e quem sabe superar, sua medalha de prata conquistada em Tóquio.
Para isso, ela já tem sua mira ajustada: um total de 207kg, que incluiria um recorde pessoal de 90kg no arranque e 117kg no envião (seu recorde atual é de 119kg, mostrando margem para melhora).
Uma medalha em Paris transformaria Chanu na peso-levantadora mais bem-sucedida da história da Índia e apenas a segunda indiana a conquistar duas medalhas olímpicas. É um recorde que ela tem plena consciência e almeja como seu.
“Estou animada e nervosa ao mesmo tempo em relação às Olimpíadas de Paris”, confessa Chanu à ESPN. “Esta será a minha terceira Olimpíada e o pensamento sobre o que vai acontecer me deixa um pouco nervosa. Ganhei a prata no primeiro dia em Tóquio, e pensar no que pode acontecer dessa vez… adiciona um pouco de pressão também. Mas estou entusiasmada com o fato de as Olimpíadas voltarem dentro de três anos, e isso me empolga”, diz ela.
Desde a prata de Tóquio, muita coisa aconteceu: Chanu faturou a prata no Campeonato Mundial de 2022 e o ouro nos Jogos da Commonwealth de 2022. Mas também sofreu com diversas lesões que a atrapalharam ao longo do caminho, sendo a pior delas uma contusão no quadril nos Jogos Asiáticos de 2023.
Durante o aquecimento, Chanu sentiu uma dor aguda na coxa direita. Optou por lutar, mas acabou lesionando o quadril em sua tentativa final no envião, ficando fora do pódio. A contusão encerrou sua temporada de 2023, na qual competiu apenas em dois eventos.
“Não treinei por cinco meses após os Jogos Asiáticos. Fiquei completamente afastada do levantamento de peso, focamos apenas na minha recuperação e treinos da parte superior do corpo”, diz ela.
Finalmente, em janeiro, pôde retornar aos treinos completos nos EUA, sob o comando de seu treinador de longa data, Dr. Aaron Horschig. Chanu, que antes se divertia agachando pesos como treino extra, precisou voltar ao básico. Começou com agachamentos sem peso, depois com a barra vazia e, por fim, com a barra carregada. Isso trouxe um novo propósito para a vida de Chanu.
“Estou muito feliz por poder levantar a barra novamente e por conseguir agachar de novo”, admite. Seu recorde pessoal no agachamento é de 150kg, e ela vem trabalhando para chegar perto dessa marca, atualmente realizando repetições com 120-130kg em sua base de treinamento no NIS Patiala, com o técnico Vijay Sharma.
Em sua única competição neste ano, terminou em 12º na Copa do Mundo de Halterofilismo da IWF, com um total de 184kg (81kg no arranque + 113kg no envião). Ficou longe de seu recorde pessoal (88kg no arranque + 119kg no envião), mas garantiu o que precisava: uma vaga nas Olimpíadas de Paris.
Chanu e o técnico Sharma estão se dedicando ao máximo na preparação para as Olimpíadas. Atualmente, estão dando os últimos retoques em seus levantamentos em Patiala e, em breve, seguirão para La Ferté-Milon, no norte da França, um mês antes dos Jogos, para se aclimatarem às condições locais.
Os Jogos de Paris serão um desafio, observa Chanu. O arranque sempre foi seu ponto fraco, e agora há três levantadoras rondando a marca de 90kg: a romena Mihaela Cambei (92kg no Campeonato Europeu de 2023), a americana Jourdan Delacruz (91kg no Campeonato Pan-Americano de 2019) e a tailandesa Surodchana Khambao (87kg no Campeonato Mundial de 2023).
“Vai ser difícil, já que tem mais atletas indo bem no arranque no peso-pena. Penso em levantar 90kg no arranque e em torno de 115
