Lauren Jackson: Mãe, atleta e guerreira rumo ao quinto Jogos Olímpicos

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Em uma narrativa que flui como a crônica social de Clóvis Rossi, ganha a vibração descritiva de Tom Wolfe e se aprofunda na resiliência humana à la Noam Chomsky, contamos a inspiradora saga de Lauren Jackson, a maior jogadora de basquete que a Austrália já viu.

Aos 43 anos prestes a completar 44, Lauren desafia o tempo e persegue um feito inédito: disputar sua quinta Olimpíada, 24 anos após brilhar pela primeira vez em Sydney. Mas, para chegar a Paris, precisou superar barreiras emocionais e físicas que exigiriam toda a sua garra.

Uma ruptura no tendão de Aquiles e uma fratura no pé, sofridas em fevereiro do ano passado, colocaram sua carreira em xeque. Resiliente, Lauren narra: “Há cinco meses, sequer cogitava a possibilidade de voltar. Pensei em encerrar a carreira antes das eliminatórias (realizadas em fevereiro no Brasil) porque a recuperação física não fluía como o esperado, e a confiança tardava a se firmar”.

Doze meses após a cirurgia, tudo mudou. “Meu condicionamento físico melhorou sensivelmente, o timing de jogo retornou e as limitações impostas pela lesão foram superadas. Os últimos anos foram reveladores. É possível que, se tivesse a mesma mentalidade e postura que possuo hoje em relação aos treinos, a contusão anterior (no joelho, que a forçou a aposentadoria em 2016) pudesse ter sido superada. Mas isso é especulação. Talvez eu não estivesse aqui vivendo o auge da minha vida, ao lado dos meus filhos e plena de felicidade”.

Após conquistar o campeonato nacional com o Southside, Lauren integrou a seleção australiana que garantiu vaga para Paris. No júbilo da classificação, anunciou sua aposentadoria da seleção. Porém, bastou um convite para reacender a chama olímpica.

“Havíamos tomado a decisão de encerrar o ciclo na seleção nacional, mas recebi um chamado e dialoguei com meus pais, filhos e pessoas próximas. Os meninos tiveram papel fundamental na deliberação. O curto espaço de tempo dificultava a assimilação de tudo. A realidade de ficar longe deles novamente me impactou profundamente”, desabafa a atleta.

Com o apoio irrestrito da técnica Sandy Brondello, Lauren teve a oportunidade de refletir e tomar a decisão final. “Sandy foi excepcional. Ela enfatizou a importância da autonomia na tomada de decisão e asseverou o apoio incondicional da comissão técnica. Se eu almejasse integrar a equipe, o aval seria concedido. Do contrário, a decisão seria respeitada. Esse período foi crucial para uma avaliação ponderada junto à família. Alcançamos um consenso, e todos estão engajados. Acredito na viabilidade do projeto. Tenho certeza de que os meninos ficarão mais felizes, assim como eu”.

Para viabilizar o sonho olímpico, toda a família se mobilizará em um meticuloso planejamento. Os pais, Maree e Gary, ambos ex-jogadores de basquete pela Austrália, marcarão presença na França. Tim Freedman, pai das crianças e vocalista da banda australiana The Whitlams, ficará alojado em um hotel próximo, responsável pela assistência a Lenny e Harry, os filhos do casal.

“Mantivemos diálogos frequentes no último mês e meio. Os meninos são pequenos e, principalmente para Lenny, é complicado compreender a magnitude das Olimpíadas. Se eu for selecionada, talvez a preferência dele fosse me ver assistindo às partidas de basquete que disputa”, brinca Lauren.

Com o aniversário de 44 anos no sábado e o Dia das Mães no domingo, ambos abrilhantados por partidas do Albury Wodonga e pela presença calorosa dos filhos, Lauren celebra a vida e a oportunidade de disputar mais uma Olimpíada.

“Analisar a retrospectiva e constatar que estou, possivelmente, em melhor forma física do que há 12 anos é motivo de júbilo. Transbordo de entusiasmo e farei o máximo para conquistar uma vaga na equipe. Somente necessitava de um tempo para refletir se esse era realmente o meu anseio. E a resposta é sim!”, finaliza a veterana atleta, pronta para mais um capítulo glorioso de sua história.

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